Também eu, fui pela primeira vez à escola, num dia 7 de outubro. Tinha seis anos, feitos 3 meses antes. Lembro-me que a minha mãe, ainda muito jovem mas de uma grande força interior, dizia ter feito um requerimento ao Senhor Ministro da Educação a solicitar a excepção de me aceitar um ano antes da idade oficial.
Era muito pequenina e tímida – excessivamente tímida – e o estar sentada e quieta não constituiu algo desagradável. Afinal, eu era uma criança única numa casa de adultos e passava muitas horas sózinha no meu “mundo” imaginário.
Sei que já sabia ler nesse dia em que entrei para a escola, e também sabia escrever os números e contar até 100. Acho que comecei a aprender mais ou menos aos 4 anos e por iniciativa própria porque aqueles pequenos desenhos que me diziam serem letras, encerravam um mundo fantástico e fascinante e juntos em grupos, diziam coisas e contavam as histórias que a minha mãe me lia antes de eu adormecer.
Mas foi apenas nesse ano que aprendi a desenhar o abecedário da caligrafia. Até aí só conhecia as letras de imprensa; as que via no Diário de Notícias, onde aprendi a ler.


















