sábado, outubro 02, 2004

OS MEUS CÃES


O Diogo Cão e a Piccolina

A PICCOLINA



Faz hoje 18 meses que deixei que me seguisse, quando voltava do passeio matinal com o meu cão, e a convidei a entrar no prédio onde habito. Não mostrava timidez. Apenas um olhar assustado e o sobressalto próprio dos cães acossados. Estava sedenta e trazia uma coleira demasiado apertada para o pescoço magro, sinal de meses de abandono. Sobrou - disseram-me - do Plano de Erradicação de Barracas. Ficou no terreno, à espera da família que já não tinha e escapou aos funcionários do canil municipal, no dia em que chegaram as retroescavadoras. Procurou dono; seguiu vários que lhe deram comida e água e a devolveram à rua. Não desisitiu; é uma resistente, uma lutadora. Estava mal nutrida e a precisar de cuidados. Foi operada, tratada, acarinhada. Subiu de status - tem dona, casa e um amigo, com quem partilha cesto e brincadeiras e preenche a solidão das horas em que me ausento. E a ternura que me devolve no olhar é recompensa bastante.

sexta-feira, outubro 01, 2004

MES HOMMAGES, MADAME!


Broadway

1995
46 x 33 cms
Óleo sobre tela
Isabel Magalhães

Col. Particular


Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) tem e terá sempre um lugar de destaque no meu coração. Esta é a pequena homenagem que lhe presto. Por respeito, assinei e datei atrás.

quinta-feira, setembro 30, 2004

ESTIO


Estio

1999
73 x 60 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Magda Magalhães

Pedro Magalhães
Designer de Comunicação

quarta-feira, setembro 29, 2004

LISBOA COM TEJO


Lisboa com Tejo

1996
90 x 100 cms
Óleo sobre platex
Isabel Magalhães

Col. Autora

terça-feira, setembro 28, 2004

PENÍNSULA


Península

2002
73 x 92 cms
Técnica mista - colagem e acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Particular

segunda-feira, setembro 27, 2004

MAR DE MAIO I e II


Mar de Maio I e II

2004
2 x (22 x 15 cms)
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Particular

sábado, setembro 25, 2004

AS CORES DA TERRA


ISABEL MAGALHÃES

As Cores da Terra
1998
100 x 60 cms
Acrílico sobre tela


Col. Particular

sexta-feira, setembro 24, 2004

FLORES


ISABEL MAGALHÃES

Flores
1999
89 x 116 cms
Acrílico sobre tela


Col. Particular




A AMIZADE NA BLOGOESFERA

As minhas flores para agradecer a todos em geral, e em especial aos que sentiram a minha falta nestes últimos dias e se preocuparam.

quarta-feira, setembro 22, 2004

ORIENTE


Oriente

1998
70 X 50 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Catarina Zimbarra (Designer)

terça-feira, setembro 21, 2004

CIDADE DO AMOR


ISABEL MAGALHÃES
Cidade do Amor
2001
73 x 92 cms
Acrílico sobre tela

segunda-feira, setembro 20, 2004

BUGANVÍLIA


Olympus [mju:] 300 Digital



Três troncos ressequidos deixados ao lado do contentor. Das folhas nem vestígio. Numa das extremidades, um emaranhado de raízes sujas de terra e com a forma do vaso demasiado pequeno que a albergara tempo de mais.
Não lhe ficou indiferente – talvez ainda houvesse esperança de vida. Levou-a para casa. Deu-lhe um vaso condizente com a envergadura dos troncos, acondicionou-a em 10 quilos de terra tratada. Podou-a para lhe devolver um aspecto harmonioso. Regou-a e esperou.
Três semanas passadas, os primeiros vestígios de vida – uns pequenos pontos verdes claros, vibrantes, a despontar nos troncos.
Na primavera seguinte, apesar da profusão de novos ramos e folhas, as flores teimavam em não aparecer. De que cor seriam?
Mais água, muita água e fertilizante nas doses indicadas na embalagem e a impaciência da espera. E assim passou quase todo o verão; um verão de cuidados e observação. Até que um dia, chegou à varanda e notou que nas extremidades dos jovens troncos, umas folhas se haviam transformado em pontos amarelo Indiano.
É a minha Buganvília amarela. E vive na varanda da minha sala, banhada pela luz que também me alimenta.

CONSTRUÇÃO II


Construção II

1999
73 X 60 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Particular

domingo, setembro 19, 2004

MANHATTAN II


ISABEL MAGLHÃES
Manhattan II
1998
50 x 70 cms
Acrílico sobre tela


(Col. Particular)

sábado, setembro 18, 2004

OS ELEMENTOS - TERRA


Terra

1998
100 x 60 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Particular

sexta-feira, setembro 17, 2004

JANELAS DA 24


Janelas da 24

1996
65 x 80 cms
Óleo sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Pedro Magalhães (Designer)

quinta-feira, setembro 16, 2004

VIBRATO


Vibrato

2004
100 x 100 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Autora




Exposição Colectiva de Pintura
Galeria de Arte
Fundação Marquês de Pombal
Palácio dos Aciprestes
Linda-a-Velha

de 11 a 25/9

quarta-feira, setembro 15, 2004

NEW YORK I


NY I

1996
50 x 65 cms
Óleo sobre tela
ISABEL MAGLHÃES

Col. Autora

terça-feira, setembro 14, 2004

SUPERNOVA


Supernova

1997
60 x 50 cms
Técnica mista - colagem e acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Particular

segunda-feira, setembro 13, 2004

OURICEIRA II


Isabel Magalhães
Ouriceira II
1998
70 x 50 cms
Acrílico sobre tela
(Col. Particular)

domingo, setembro 12, 2004

ALGARVE


Fuzeta - ALGARVE

1999
73 x 60 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Particular

sábado, setembro 11, 2004

EXPOSIÇÃO COLECTIVA DE PINTURA

A Junta de Freguesia de Linda-a-Velha, faz a sua 3ª mostra de pintura, de 11 a 25 de setembro, na Galeria de Arte da Fundação Marquês de Pombal, Palácio dos Aciprestes, Av Tomás Ribeiro, 18 em Linda-a-Velha.
Horário: De 2ª a 6ª das 15h às 18h. Sábado das 15h às 19h. Encerra ao domingo.

OS ELEMENTOS - AR


Ar

1998
100 x 60 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES
Col. Particular


The intellect in every man is God.
MENANDER

sexta-feira, setembro 10, 2004

SALADA DE CAMARÃO COM FRUTOS TROPICAIS


OLYMPUS [mju:] 300 Digital
.
Gosto de jantar nas docas. Gosto de ver os barcos no seu baloiçar suave, mastros ao alto, numa dança que me inspira.
Gosto de ver o Tejo, o brilho da lua nas águas escuras a correrem docemente a montante e a jusante e as luzes da outra margem reflectidas em miríades multicores.
Relembro as viagens de Cacilheiro da minha infância, em tardes calmas pela mão da minha avó. Oiço o senhor dos rebuçados – Cada Cor Seu Paladar – a saltar do barco em andamento que a vida é dura e não pára e é preciso vender no outro que espera largar.
E as travessias de algumas tardes de quarta-feira a Porto Brandão, com os meus filhos, para lhes ocupar o horário reduzido do colégio, e lhes mostrar que-linda-que-é-Lisboa-vista-da-margem-sul.
Gosto deste rio, tantos anos oculto, tantos anos ausente, numa cidade teimosamente de costas voltadas. Gosto destes novos espaços na zona ribeirinha, entre o Cais do Sodré e Algés.
Gosto que tenham devolvido o rio à minha cidade.

quinta-feira, setembro 09, 2004

CONSTRUÇÃO I - Casa Cheia de Vida


Casa Cheia de Vida

1999
73 x 92 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGLHÃES

Col. Particular

quarta-feira, setembro 08, 2004

terça-feira, setembro 07, 2004

CIDADE SUSPENSA


Cidade Suspensa

1999
81 x 100 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Particular

segunda-feira, setembro 06, 2004

MONTE


Monte

1999
81 X 65 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MGALHÃES

Col. Particular

domingo, setembro 05, 2004

THE DA VINCI CODE


Quando, há uns meses, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, no seu programa semanal, em que dá a volta ao mundo em 30 minutos – mais ou menos – se pronunciou sobre o Código Da Vinci, confesso que perdi o entusiasmo. Eu prezo a opinião do Professor e o comentário que teceu, levou-me a rejeitar o livro que me quiseram oferecer. Entretanto, e findos os 3 livros que tinha em mãos, venceu a curiosidade.
The Da Vinci Code de Dan Brown, na versão original, vai ser a minha leitura para os próximos tempos. São 593 páginas – com letra muito miudinha.
Quem mo indicou, disse-me valer a pena.

COLARES


Colares

1999
72 x 93 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Autora

sábado, setembro 04, 2004

O MEU CÃO


O Meu Cão

1998
60 x 50 cms
Colagem e óleo sobre tela
ISABEL MAGLHÃES

Col. Autora

sexta-feira, setembro 03, 2004

Como artista plástica, há vários anos que exponho o meu trabalho; em exposições individuais, colectivas ou em regime de exposição permanente.
Não me escondo profissionalmente; uso o meu nome e os Galeristas fazem a sua divulgação.
Expor é exactamente isso; expor a obra e o nome. É estar sujeito às criticas – boas e más – já que gostar e não gostar, são direitos de todos e de cada um. O que pinto não agrada a todos e, no que me diz respeito, também não gosto de toda a pintura.
Seria presunção esperar ou exigir de outro modo. O que eu espero e exijo é que os comentários, feitos no blog, ao meu trabalho, sejam honestos, e não de teor ordinário, chocarreiro e caceteiro.
O autor – porque se trata de um único, com vários registos e já identificado – tem vindo a deixar frases desse teor. Pelo entaramelado das palavras, pela repetição das frases e pelo tipo de semântica usada, a análise torna-se fácil.
A esse tipo de “escrita”, assim como aos ataques de índole pessoal que tem vindo a perpetrar, - que "baixo" e que ausência de valores, refazer e transformar em insultos, as informações constantes do meu portfólio e dos catálogos das exposições - a esses, dizia, reservo-me o direito de os remeter à “cesta secção”. Afinal, o blogger até disponibiliza uns pequenos caixotes.
Resta lamentar que – como outro alguém me disse - se perca um espaço de convívio privilegiado.
É esta a blogosfera (im)possível.

MARGINAL


Marginal

1998
70 x 50 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Restaurante Bota Alta - Lisboa

quinta-feira, setembro 02, 2004

NATUREZA VIVA


Natureza Viva

1999
81 x 116 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Autora

quarta-feira, setembro 01, 2004

O PRINCÍPIO DAS COISAS


O Princípio das Coisas

1998
60 x 70 cms
Técnica Mista - colagem e acrílico s/tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Particular

O BARCO

Somos um Estado Soberano; não somos?

segunda-feira, agosto 30, 2004

PISCES


ISABEL MAGALHÃES
Pisces
1999
92 x 73 cms
Acrílico sobre tela

Col. Particular

domingo, agosto 29, 2004

LIMITES


ISABEL MAGALHÃES
Limites
1999
92 x 73 cms
Acrílico sobre tela


Col. Autora

sábado, agosto 28, 2004

PARA O GUI

(Meu desconhecido amigo da blogosfera)

Por vezes, e que me perdoem os Grandes Mestres que possam não concordar, digo eu, uma autodidacta em pintura, e também porque o disseram Grandes Mestres que já não moram aqui, é necessário esquecer os conhecimentos académicos para poder criar, para libertar a pintura que vai na alma.
Dito por mim, pode parecer suspeito – sou apenas menos que uma ínfima partícula na pintura. Não renego a técnica e conhecer os materiais, saber utilizá-los e dominá-los é essencial. Não renego o que outros – muitíssimos outros – me possam ensinar; tenho ainda tantos livros para ler, tantas exposições para ver, “a ver também se aprende” – dizia sempre o meu pai - e eu pertenço ao grupo a quem é essencial “meter as mãos na massa” para complementar a leitura, os ensinamentos. Sem esse acto, não ultrapasso a insegurança. É a curiosidade, a necessidade de sentir fisicamente – a pintura é também um acto físico – que me impulsionam a experimentar, a destruir para construir.
O que eu recuso é que me condicionem a mão, o traço, o rasto deixado pelo pincel ou pela espátula. Que me reduzam, enfim, o olhar, à condição de lente de máquina fotográfica.
Sem, de modo algum, autodenominar de arte aquilo que faço, mas consciente da diferença entre “Arte e Saber Fazer” tenho sempre presente algo que um Pintor cujo trabalho muito prezo – Jorge Martins – escreveu: - “Há dois tipos de pintores; os que sabem de antemão o que vão pintar, e os outros. Os que vão para o cavalete e deixam que aconteça”.
É assim que estou na pintura; deixo que aconteça! Deixo que “Alguém” guie a minha mão.
Tudo isto para quê? Para te dizer que deixes que a mão que segura os pincéis, te leve onde a alma te quiser levar. Sem medo, sem receio. Talvez aí encontres a evolução que pretendes.

PINTO DE COR


ISABEL MAGALHÃES
Pinto de Cor
1999
73 X 60 cms
Acrílico sobre tela


Col. Autora

sexta-feira, agosto 27, 2004

ALENTEJO


ISABEL MAGALHÃES
Alentejo
1998
70 x 50 cms
Acrílico sobre tela



(Col. Particular)

quinta-feira, agosto 26, 2004

ENTARDECER


ISABEL MAGLHÃES
Entardecer
1997
50 x 70
Acrílico sobre tela



(Col. Magda Magalhães)

quarta-feira, agosto 25, 2004

MONET



(1840 – 1926)

No início dos anos 90, comprou um terreno um pouco mais abaixo da sua casa, num local exótico. Um regato permite-lhe dispor em jardim de água esses quase 7.500 metros quadrados. Mais tarde, pagará a um jardineiro para tratar dos nenúfares que aí crescem e a mais cinco para o resto do jardim.
Em 1895, manda construir uma pequena ponte japonesa. Esta extensão de água imóvel sob o sol, animada pelo zumbido das libélulas, com as suas rãs escondidas nos roseirais que se deixam cair dentro de água quando alguém se aproxima, é para Monet um local de paz e meditação. O lago, as suas plantas aquáticas, as suas algas, a sua profusão de lírios selvagens, os roseirais e chorões, os seus charcos de nenúfares nacarados, transforma-se na inspiração principal dos últimos trinta anos de vida do pintor. Pode ver-se Monet que, literalmente, se aproxima do seu tema, enquadra-o como com um zoom para finalmente nele mergulhar por completo. Primeiro são as grandes composições, depois as vistas parciais do lago com a ponte japonesa e por fim os pormenores do pedaço de água onde o céu já só está presente através do seu reflexo. Nestas telas não existe horizonte. Árvores, céu e nuvens reflectem-se no espelho de água – não podemos, sem dúvida, falar de paisagens no sentido estrito do termo. Monet designava-as por “espelhos de água”.

(TASCHEN)

NO LAGO DE MONET


No Lago de Monet

2000
92 x 73 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Particular

terça-feira, agosto 24, 2004

5ª AVENIDA


ISABEL MAGALHÃES

5ª Avenida
1999
100 x 81 cms
Acrílico sobre tela


(Col. Autora)

sábado, agosto 21, 2004

EXPLOSÃO DE COR


ISABEL MAGALHÃES
Explosão de Cor
2003
100 x 100 cms
Acrílico sobre tela



(Col. Particular)


EXPOSIÇÃO "RETROSPECTIVAS"

2 Artistas

GALERIA CASA SANTA RITA

COLARES

sexta-feira, agosto 20, 2004

JANELA SOBRE A CIDADE


Isabel Magalhães

Janela Sobre a Cidade
2001
92 x 73 cms
Acrílico sobre tela


Col. Pintor/Escultor Raúl Rodrigues

quinta-feira, agosto 19, 2004

PLANÍCIE


Planície

2004
16 x 27 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Particular

quarta-feira, agosto 18, 2004

Fernando Pessoa

XI

Não sou eu quem descrevo. Eu sou a tela

E oculta mão colora alguém em mim.

Pus a alma no nexo de perdê-la

E o meu princípio floresceu em Fim.

Que importa o tédio que dentro em mim gela,

E o leve Outono, e as galas, e o marfim,

E a congruência da alma que se vela

Com os sonhados pálios de cetim?

Disperso... E a hora como um leque fecha-se...

Minha alma é um arco tendo ao fundo o mar...

O tédio? A mágoa? A vida? O sonho? Deixa-se...

E, abrindo as asas sobre Renovar,

A erma sombra do voo começado

Pestaneja no campo abandonado...
 
 

CIDADE AO MEIO-DIA


Cidade ao meio-dia

2001
92 X 73 cms
Acrílico s/tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Particular

terça-feira, agosto 17, 2004

UM VERSO

Um verso. Nada mais que um verso cintilante
contra o equilíbrio cósmico e a expansão do universo
na cauda do cometa mais errante
no coração do espaço e seu avesso
uma sílaba cantante
um verso.

Para além dos buracos negros e das linhas interestelares
um som no espaço
um eco pelos ares
um timbre um risco um traço.

Um som de um som: alquimia
de signos e sinais
não mais do que outra forma de energia
imagens espectrais
de um sol inverso
um ponto luminoso nos fractais
um verso.

Manuel Alegre
in Senhora das Tempestades

O REINO DO OURO


O Reino do Ouro

1999
60 X 100 cms
Técnica mista - colagem e acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Dra. Isabel Cardoso

segunda-feira, agosto 16, 2004

GEOMETRIA ILUMINADA


ISABEL MAGALHÃES

Geometria Iluminada
1999
73 x 92 cms
Acrílico s/tela


Col. Autora

"DA COR AO CORAÇÃO"
Exposição Individual
1999
Inauguração da Galeria Casa Santa Rita - Colares/Sintra

domingo, agosto 15, 2004

CUCULÍDEOS - Cucos


CucoCuculus canorus

Esta ave possui dimensões médias, plumagem escassa e cauda de comprimento moderado. Nos pés apresenta quatro dedos, dois dirigidos para a frente e dois para trás.

É uma ave parasita. Põe e abandona os ovos nos ninhos de outras aves para que lhe alimentem as crias.

Na blogosfera também há Cucos. Nada produzem e abandonam os ovos – podres – nos blogs alheios.

E nem sequer são canorus; para nosso contentamento.


CIDADE AO ACORDAR


ISABEL MAGALHÃES
Cidade ao Acordar
2001
92 x 73 cms
Acrílico sobre tela


Col. Autora

sábado, agosto 14, 2004

CELEBRAR A OBRA



Não gosto de elogios fúnebres, prefiro celebrar a obra.
Só comecei a conhecer o trabalho de HENRI CARTIER-BRESSON em 1974/75 quando a compra da francesa PHOTO se tornou um dos meus hábitos de consumo.
No meio de muita informação técnica, muita publicidade a material fotográfico cujo preço, à época, era proibitivo em Portugal, principalmente ao escalão etário mais jovem, e de muitas fotografias realizadas com o apoio das maravilhas da técnica, - as fotos trabalhadas a laser eram já uma realidade e lembravam a pintura dos Impressionistas - havia, amiúde, fotos e referências a HCB.
Eu estava “a sair” das fotos de família, daquelas fotos de dimensão muito reduzida, com margem serrilhada, em que me via apenas um ponto minúsculo, captado a excessivos metros de distância, pelo “caixotinho” KODAK, de uma das minhas tias, nomeada “fotógrafa oficial” lá de casa. E, a compra da minha primeira SLR, ainda teria que esperar até 1980.
As fotos do Bresson, apesar do desfasamento no tempo e no espaço, - o senhor era contemporâneo da senhora minha avó – fascinavam-me os olhos e o espírito. O enquadramento era perfeito e mais tarde vim a saber que não cortava negativos; imprimia tudo o que captava. Tinha a precisão e a rapidez necessárias para captar o que queria e só o que queria.
Das muitas fotos dele, há uma que não encontro e que recordo amiúde: “A Jogadora de Ténis” – anos 30? – uma senhora a que os franceses chamam “Bon chic, bon genre”. E é assim que vou guardar o CARTIER-BRESSON. B.C.B.G.!


sexta-feira, agosto 13, 2004

ARIES


Aries

1999
100 x 81 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Particular

NONO POEMA DO PESCADOR

Os anjos são de Rilke. Mas
quem
para além do vaivém das
marés? Quem
quando só o mar e céu
e nem
um só se afoite
na praia sem
ninguém? Quem
quando só eu
e a noite?

Manuel Alegre
in Senhora das Tempestades

quinta-feira, agosto 12, 2004

miguel torga poeta ibérico

12 de AGOSTO de 1907

Nasce em S. Martinho da Anta, Sabrosa, distrito de Vila Real, Trás-os-Montes, MIGUEL TORGA.


CONFIDENCIAL

Não me perguntes, porque nada sei
Da vida,
Nem do amor,
Nem de Deus,
Nem da morte.
Vivo,
Amo,
Acredito sem crer,
E morro, antecipadamente
Ressuscitado.
O resto são palavras
Que decorei
De tanto as ouvir.
E a palavra
É o orgulho do silêncio envergonhado.
Num tempo de ponteiros, agendado,
Sem nada perguntar,
Vê, sem tempo o que vês
Acontecer.
E na minha mudez
Aprende a adivinhar
O que de mim não possas entender.


in DIÁRIO

quarta-feira, agosto 11, 2004

CASAS À BEIRA DO CAIS


Casas à Beira do Cais

1999
81 x 100 cms
Acrílico sobre tela
ISABEL MAGALHÃES

Col. Arquitecta Teresa Cabido

CAIS



Nenhum cais
Será apenas
De partida e de chegada ...

Há em cada regresso
A mágoa de partir.
Cada ida
Tem agrilhoada
A saudade de ficar
Quando anuncias que vais.

Sobra sempre um beijo
Desconforto
Quando o lenço branco
Se desdobra
E absorto
Se despede ao vento
E em silêncio
Diz adeus ao sentimento
Quem sabe ...até nunca mais !
E morrem no esquecimento
Casas à beira do cais ...


João Moutinho
23 de Outubro de 2000

domingo, agosto 08, 2004

DISSE...

o Alberto Caeiro:

"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Cada um é como é. Ambos existem."

É um facto; ambos existem! Mas, cá por mim, prefiro o Sol. Sempre dá para ir à praia, bronzear e poupar energia no secador da roupa.

quarta-feira, agosto 04, 2004

PRETO NO BRANCO

Porque será que à maioria dos poetas lhes desperta a verve quando cantam a tristeza dos desencontros do amor? E os grandes prémios de fotografia que apenas contemplam o trabalho dos que captam cenas de guerra e de miséria? E porque não cantar hinos á alegria em vez de dar à estampa o preto e branco do sofrimento? Será que a alegria "não vende"? Deixou de ser notícia? Passou de moda? Será que o homem é um ser triste, vampiro de situações negativas e que as alimenta com o desamor, com a infelicidade própria e a alheia, com os traumas, as frustações, as não realizações pessoais? E porque não inverter a situação? Porque não falar, escrever, fotografar o outro lado, o lado das coisas belas e das coisas boas, dos sentimentos bons como a amizade e o amor? O amor que todos temos para dar e que amiúde não damos, porque não sabemos, porque não queremos, por inércia ou omissão. O amor feliz, realizado, escrito, falado, pintado com uma paleta cheia de cores.

terça-feira, agosto 03, 2004

SILLY SEASON

Acho que também entrei na silly season!

domingo, agosto 01, 2004

1º DE AGOSTO!


1º de Agosto, 1º de Inverno!
Diziam os antigos, conhecedores dos ventos e dos mares, que o dia 1 de Agosto é o indício do Inverno que vamos ter.
Eu, ignorante confessa dessas coisas, só posso desejar que o Inverno que há-de vir, seja ameno e que a chuva seja q.b. - como nas receitas de culinária - e já que há menos quem trabalhe de noite, que chova de preferência quando a maior parte dorme. Que tenhamos - enfim - sol na eira e chuva no nabal. Para contentamento de todos.

sexta-feira, julho 30, 2004

O CONTO DO VIGÁRIO

 
(Na  era da Internet)

Circula na net, via e-mail, uma nova versão do Conto do Vigário. Em essência são sempre iguais. Chegam-nos de países africanos de língua não portuguesa e usam um inglês bem escrito, bem articulado.

Começam, de forma muito educada, pela apresentação. Dizem-se filhos ou herdeiros de personalidades de renome ou titulares de cargos governamentais.
Dispõem de uma quantia elevada – o e-mail que recebi ontem mencionava vinte e um milhões de dólares americanos – depositada num cofre algures num país europeu, que precisam levantar urgentemente, sob pena de a perderem mas que o sistema económico e/ou os problemas sociais do  país de origem, ou mesmo a guerra, não o permitem. Essa quantia será depositada na conta do feliz destinatário do e-mail que pela sua generosidade, receberá a importância de 25%, sendo  20% de comissão e 5% para cobrir as despesas de transferência.

“A única esperança de recuperar o depósito deixado pelo nosso falecido pai, está nas suas mãos” – dizem. “Assim, humildemente, solicito a sua assistência, conforme segue:

1 – Ajudar-me a reclamar este cofre como nosso beneficiário.

2 – Transferir este dinheiro (US$21.000.000.00) em seu nome, para o seu país.

3 – Pagar, antecipadamente, as despesas de transferência (5%).”

Alertam também para a necessidade de um absoluto sigilo e pedem que lhes seja enviado para um determinado e-mail, dados como nome completo, morada e números  de Tel/Fax.

Antes de terminar, agradecem e pedem a Deus protecção para tão generosa pessoa.
 A questão é simples. As despesas a pagar são elevadas, dada a quantidade de zeros da pseudo herança e é aí que reside o lucro do remetente do e-mail. Uma vez depositada essa importância, não há  20% de comissão de coisa nenhuma. Há apenas alguém – sabe-se lá onde -  a esfregar as mãos de contentamento, com mais uns milhares de dólares que um qualquer ganancioso, na expectativa do lucro fácil, lhe depositou em conta.


quinta-feira, julho 29, 2004

O POINTER


"O Pointer está para os cães de parar como um Ferrari para os automóveis."

Representa a essência do cão de parar britânico mas as suas origens são continentais, sendo provavelmente descendente de Bracos Ibéricos levados para a Grã Bretanha no início do século XVIII por caçadores da nobreza. Os cruzamentos sucessivos num sistema de consanguinidade muito acentuada, com frequente troca de genitores, deu rapidamente origem a uma raça única de Pointers bastante homogénea. Especialistas incontestados das grandes extensões, estes cães destinavam-se à caça da perdiz e do grouse.

"Demasiado rápido", "incontrolável", segundo uns, mas na verdade não merece essa reputação. O Pointer caça velozmente e longe mas é uma das mais excepcionais "máquinas de caçar". É dotado de um faro inigualável e de meios físicos impressionantes e na maioria dos casos, um maravilhoso descobridor de caça. É elegante, robusto, nervoso, bem constituído. De carácter brando, aceita bem o adestramento desde que este não tente fazer dele um cão lento e de caça sob arma. A sua inteligência permite-lhe adaptar-se a diferentes tipos de caça, desde que se lhe deixe espaço suficiente para desenvolver a sua busca.

O seu caracteristico porte de cabeça acima da linha do dorso, permite-lhe captar a mais pequena emanação trazida pelo vento, mesmo a grande distância. A sua "paragem" é impressionante uma vez que não retarda a marcha ao sentir a emanação de uma peça. Pára simplesmente a alta velocidade e "petrifica" numa atitude de tal forma dominadora que bloqueia a caça.

O Pointer é um aninal bem-disposto, amigável e excelente companheiro em casa, mesmo em apartamento. Contudo, tem uma enorme necessidade de exercício diário e treino regular de corrida com bom ou mau tempo, para que se mantenha saudável.

Pelagem: Pêlo curto e fino, de distriuição uniforme; completamente liso e muito brilhante.
Cor: As cores mais comuns são limão e branco, laranja e branco, fígado e branco e preto e branco. As pelagens uniformes ou tricolores também são aceites.

Tamanho: Altura na espádua nos machos 63 a 69 cms; nas fêmeas 61 a 66 cms.

quarta-feira, julho 28, 2004

CTT


Numa das freguesias aqui do concelho, o "carteiro" toca por volta das 10:00/11:00h da manhã. Suponho que será assim nas freguesias da grande Lisboa e dos grandes centros urbanos. A campainha toca, as pessoas perguntam pelo intercomunicador - quem é? - e à resposta - é o carteiro! - o automático abre a porta. Nada de anormal; é este o procedimento sempre que a campaínha toca, seja quem for que toque à campaínha. Estranho, muito estranho, é que , apesar de se ter respondido e aberto a porta da escada, o "carteiro" opte por deixar na caixa do correio, um aviso de registo a dizer - "NÃO ATENDEU. Pode ser levantado na Estação dos CTT a partir das 16:00h". Um registo, é um serviço especial, pago por outrém, com uma taxa suplementar, para que determinada carta, ou encomenda, seja entregue em mão, contra a assinatura do destinatário.
Por curiosidade, o edifício até tem elevador. Dois, para ser mais exacta.

sexta-feira, julho 23, 2004

CARLOS PAREDES

1925-2004

"As pessoas gostam de me ouvir tocar guitarra."


quinta-feira, julho 22, 2004

AO LUME

Nem sempre o homem é um lugar triste.
Há noites em que o sorriso
dos anjos
o torna habitável e leve:
com a cabeça no teu regaço
é um cão ao lume a correr às lebres.

Eugénio de Andrade

quarta-feira, julho 21, 2004

ECCE HOMO

Desbaratamos deuses, procurando
Um que nos satisfaça ou justifique.
Desbaratamos esperança, imaginando
Uma causa maior que nos explique.

Pensando nos secamos e perdemos
Esta força selvagem e secreta,
Esta semente agreste que trazemos
E gera heróis e homens e poetas.

Pois Deuses somos nós. Deuses do fogo
Malhando-nos a carne, até que em brasa
Nossos sexos furiosos se confundam,

Nossos corpos pensantes se entrelacem
E sangue, raiva, desespero ou asa,
Os filhos que tivermos forem nossos.

José Carlos Ary dos Santos

quarta-feira, julho 14, 2004

21.

E chegamos aqui. Vindos da vida.
Já esquecidos do som da nossa voz.
Sobreviventes da cidade erguida
de costas para a foz.

Viemos de tão longe pela areia
que há algo de alga a nos prender os pés.
A paisagem de gestos encontreia-a
nas palmeiras à beira das marés.

Vemos passar a migração de patos
bravos e breves a rasar a água.
Já levantámos voo tantas vezes
que em nós só o olhar é que viaja.

Arremessada à praia do teu corpo
descanso então do grito da chegada:
descobrimos que o sol não estava morto
só estava posto e rasga a madrugada.

Pode parar o fio do pensamento
a corrida do medo contra o sono.
Bebo afinal o copo do silêncio
que faz calar o vento no teu ombro.

Rosa Lobato de Faria
in
As Pequenas Palavras

terça-feira, julho 13, 2004

Ontem...

 

uma qualquer eminência parda do pcp disse no telejornal da noite: - "Seja qual for o programa de governo do Primeiro Ministro Pedro Santana Lopes, o pcp vai vetar".
É urgente que... alguma alma caridosa, esclareça a criatura que o País está primeiro que o partido.

AQUI

.
Aqui
Nem sei porquê
Insisto
escrevo

Caminhos cruzados
palavras a esmo
Face obscura
por vezes
indecisa
de mim mesmo
que ora se enternece
e logo se apavora
com a inevitável marcha
para o fim
Sem saber sequer
se tu és longe
ou se sou eu,
cada vez mais,
longe de mim


Fernando Perdigão
Julho 2004

domingo, julho 11, 2004

CREPÚSCULO

.
É quando um espelho no quarto,
se enfastia;
quando a noite se destaca
na cortina;
quando a carne tem o travo
da saliva,
e a saliva sabe a carne
dissolvida;
quando a força de vontade
ressuscita;
quando o pé sobre o sapato
se equilibra...
É quando às sete da tarde
morre o dia
- que dentro de nossas almas
se ilumina,
com luz lívida, a palavra
despedida.

David Mourão-Ferreira
in
Os Quatro Cantos do Tempo
[1953-1958]

sábado, julho 10, 2004

O PAÍS...

é mais importante que o partido. Era Sá Carneiro quem o dizia. E o Senhor Presidente da República mostrou ser o Presidente dos Portugueses, enquanto filhos de uma Nação. Bem Haja!

sexta-feira, julho 09, 2004

VIVA PORTUGAL

De Um CD...

acabado de receber.

O MUNDO AO CONTRÁRIO
Tim Xutos & Pontapés

Onde vais?
Perguntas tú
Ainda meio a dormir
Não sei bem
Respondo eu
Sem saber o que vestir

Porque sais?
Ainda é cedo
E tu não sabes mentir
Nem eu sei
Só sei que fica tarde
E eu tenho de ir

Bem, depois
De estar na rua
Instalou-se uma dor
Por nós dois
Talvez sair
Tivesse sido o melhor...
Se assim foi
Porque me sinto eu
A morrer de amor?

Tenho a noite a atravessar
Dói-me não ir
Mas não me deixas voltar

Se gosto de ti
Se gostas de mim
Se isto não chega
Tens o mundo ao contrário

quinta-feira, julho 08, 2004

MINUTO

.
O amor? Seria o fruto
trincado até mais não ser?
(Mas para lá do prazer
a Vida estava de luto...)

Fui plantar o coração
no infinito: uma flor...
(Mas para lá do fervor
a Vida gritou que não!)

O amor? Nem flor nem fruto.
(Tudo quanto em nós vibrara
parecia pronto a ceder...)

Foi apenas um minuto:
a fome intensa, tão rara!,
de ser criança, ou morrer...

David Mourão-Ferreira
in
A Secreta Viagem
[1948-1950]

quarta-feira, julho 07, 2004

1.

.
Quero dar-te a coisa mais pequenina que houver
bago de arroz grão de areia semente de linho
suspiro de pássaro pedra de sal
som de regato
a coisa mais pequena do mundo
a sombra do meu nome
o peso do meu coração na tua pele.

Rosa Lobato de Faria
in
As Pequenas Palavras

terça-feira, julho 06, 2004

Teoria das Marés

.
Calidamente nua,
sob o vestido leve,
tua carne flutua
no desejo que teve.

Timidamente nua,
revelas, num olhar,
em minhas mãos, a lua
que te fez oscilar.

David Mourão-Ferreira
in
A Secreta Viagem
[1948-1950]

segunda-feira, julho 05, 2004

VAMOS...

continuar com a bandeira das quinas. Não só na janela mas sempre no CORAÇÃO!

TESTAMENT

Je legue à mes amis


Un bleu céruleum pour voler haut
Un bleu cobalt pour le bonheur
Un bleu d’outremer pour stimuler l’esprit
Un vermillon pour faire circuler le sang allègrement
Un vert mousse pour apaiser les nerfs
Un jaune d’or : richesse
Un violet de cobalt pour la réverie
Un garance qui fait entendre le violoncelle
Un jaune barite : science-fiction, brillance, éclat
Un ocre jaune pour accepter la terre
Un vert Véronèse pour la mémoire du printemps
Un indigo pour pouvoir accorder l’esprit à l’orage
Un orange pour exercer la vue d’un citronnier au loin
Un jaune citron pour la grace
Un blanc pur : pureté
Terre de Sienne naturel : la transmutation de l’or
Un noir somptueux pour voir Titien
Une terre d’ombre naturel pour mieux accepter la mélancolie noire
Une terre de Sienne brûlée pour le sentiment de durée



VIEIRA DA SILVA – (13/VI/1908 – 6/III/1992)

domingo, julho 04, 2004

A Vergonha!

Pensava eu - se calhar com o meu proverbial optimismo - que estes anos de liberdade e democracia, nos ensinariam a ser mais respeitadores dos direitos dos outros. Nos ensinariam a dar voz aos nossos gostos e desgostos, de forma ordeira, correcta, positiva, construtiva. Que deixariamos de recorrer à baixaria, ao enxovalho, ao insulto fácil e gratuito. Que apoiariamos o senhor A sem ofender o senhor B. Que não citariamos o senhor C para ofender o senhor B e por aí fora. Resumindo, que nos deixariamos de peixeiradas e de maus perderes. Não tem sido assim. Nem é apenas o cidadão anónimo, inculto, desconhecedor, que troca uns cometários exaltados com o vizinho, à porta de casa, na cadeira do barbeiro, ou no café do bairro. São cidadãos com curriculum político. Cidadãos de cultura e conhecimento, com um historial que nestes trinta anos recentes, lhes deu acesso aos média e cujos comentários - escritos e falados - me deixam espantada e envergonhada. Não gosto desta faceta do meu povo. Não gosto deste exemplo - mau exemplo - que continuamos a passar aos nossos filhos e netos. Quero deixar de ter vergonha. Quero um Portugal mais bonito, com gente mais correcta que lute pelos seus ideais mas de forma civilizada e nobre.

PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL!

sábado, julho 03, 2004

VI

Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!...

Alberto Caeiro
in
POEMAS

sexta-feira, julho 02, 2004

DERIVA

.
Vi as águas os cabos vi as ilhas
E o longo baloiçar dos coqueirais
Vi lagunas azuis como safiras
Rápidas aves furtivos animais
Vi prodígios espantos maravilhas
Vi homens nus bailando nos areais
E ouvi o fundo som das suas falas
Que já nenhum de nós entendeu mais
Vi ferros e vi setas e vi lanças
Oiro também à flor das ondas finas
E o diverso fulgor de outros metais
Vi pérolas e conchas e corais
Desertos fontes trémulas campinas
Vi o frescor das coisas naturais
Só do Preste João não vi sinais

As ordens que levava não cumpri
E assim contando tudo quanto vi
Não sei se tudo errei ou descobri

Sophia de Mello Breyner Andresen
1919-2004

Afinal...

onde estavam ontem os barões assinalados que da ocidental praia lusitana dos últimos dias, esgrimiram armas e agitaram as hostes contra Pedro Santana Lopes? Calaram a voz, sobraram três. O rei morreu, viva o rei!

quinta-feira, julho 01, 2004

O caminho...

faz-se caminhando!
PEDRO SANTANA LOPES à frente do PSD

A "silly season"...

este ano, cá no burgo, está muito menos silly. Despertou o patriotismo, ficámos todos adeptos, mesmo os que passavam totalmente à margem do futebol. O País segue dentro de momentos!

Lar, Doce Lar!

Já estou de volta a casa. Cheguei ontem, depois de três semanas de ausência, em férias, num Turismo Rural. Estive bem, não descurei o exercício físico, nem o descanso. Deitava-me com as galinhas e acordava com os galos, esquecido dos horários de artista, cá de casa. É bom estar de volta. There is no home like home! - Diogo Cão.

É TÃO BOM...


começar o dia, com um sumo de laranja bem espremida! :)))