terça-feira, setembro 27, 2005

O MUNDO AO CONTRÁRIO


Isabel Magalhães

O Mundo ao Contrário
2005
70 x 70 cms
Acrílico sobre tela

(Col. Particular)

Associação Amigos da Bicharada


Num mundo de loucos e em constante mutação, onde o sofrimento é a palavra de ordem, pensamos: que podemos fazer para mudar algo? A resposta é invariavelmente: nada!

Mas temos de ter presente o seguinte:
Para grandes causas, grandes soluções; para pequenas causas, pequenas soluções!

O mal-estar que se instala em quem quer dar uma ajuda, por mais pequena que seja, é a desconfiança de que os fundos serão desviados e mal aplicados.
Algo que se pode fazer, por exemplo para ajudar na luta contra a fome, é contribuir com bens para o Banco Alimentar. Neste caso não há contribuição monetária e estamos a ajudar, mas ainda fica a dúvida: isto chegará ao destino?
Este é o problema das causas a larga escala.

Por cá também temos a nossa quota-parte de problemas: fome; droga; sem-abrigo; etc.
Se olharmos para outros problemas, que eventualmente são catalogados de “menores”, temos: maus-tratos aos animais; abandonos de animais; animais vadios; etc.
São estas causas consideradas “pequenas” que muitos voluntários e pessoas de boa-vontade tentam diariamente, com recursos limitados, ajudar.
Se pensarmos bem sobre o assunto, estas pessoas estão a limpar a “porcaria” que fazemos. Estão a tirar-nos da frente a realidade que não queremos encarar e que muitas vezes perpetuamos!

Felizmente existem pelo país muitos canis e associações que dão abrigo e esperança aos animais que escorraçamos.
Infelizmente essas instituições vivem nas piores das condições!
Mesmo assim empreendem um esforço titânico para mudar a situação e tornar as coisas o melhor possível.

A APCA – situada no Canil de S. Pedro de Sintra - é uma dessas associações que luta diariamente com a sobrelotação de um espaço que já se revela decrépito – actualmente com quase 200 cães. No entanto graças a todos os que colaboram, conseguem dar um passo de cada vez tendo muitas situações de alegria, que apesar de tudo vão sendo poucas para as tristezas que enfrentam.
(http://www.apca.org.pt/)

Recentemente a associação Amigos da Bicharada, localizada em Carcavelos de Lousa . Loures, lançou um alerta. Os cães que estão à sua guarda – actualmente 68 - correm risco de vida por falta de fundos!
Esta é no mínimo uma situação triste!
Esta associação enfrenta o problema da seca, ou seja, o poço que fornecia água secou. Perante este dilema e sem água canalizada, vêem-se obrigados a PAGAR aos bombeiros para fornecerem água, o que em consequência se reflecte na falta de verbas para a alimentação dos animais!

Situada literalmente no meio de nada, esta é uma instituição que apela efectivamente à boa-vontade das pessoas, já que além da ajuda aos animais a acessibilidade à zona é complicada. Mas este não será um obstáculo para quem quer ajudar!
Respondendo ao apelo, muitas pessoas se fizeram à estrada e foram à descoberta deste canil com a mala cheia de comida e muita boa-vontade no coração.
Perante o espanto e simpatia das pessoas locais, ao serem repetidamente interpeladas sobre a localização do dito destino, avançamos uma etapa de cada vez. Eis que chegamos a uma zona de uma beleza natural extraordinária, mas novo obstáculo se apresenta pela frente: caminhos de terra e de difícil acesso. Mas novamente surge a colaboração entre quem luta pelas mesmas causas: naqueles caminhos isolados as pessoas que se cruzam sabem que vêm e vão ao mesmo, e informam os recém-chegados das dificuldades que irão encontrar pela frente e como ultrapassá-las.
O último obstáculo revela-se o pior: o último troço tem de ser feito a pé! Mas não representa dificuldade, pois já se ouvem os latidos dos canitos prontos a receber-nos com lambidelas.
Antes da chegada ao portão o pensamento está na carga que ficou no carro, mas rapidamente se desvanece com a recepção calorosa dos cães e do seu tratador, um senhor que cuida das instalações e dos cães, e que em jeito de rotina prontamente se dispõe a ir buscar o carregamento com um carrinho de mão.
Encomenda entregue e chegou a altura de visitar as instalações. Apesar das dificuldades que enfrentam, os Amigos da Bicharada conseguem manter as coisas num aprumo exemplar e os animais bem tratados e acarinhados.
Um episódio menos feliz nesta visita foi quando soubemos que a esperada visita dos bombeiros para fornecimento de água estava a tardar!!

Se sentem vontade de ajudar não hesitem!
Existem muitas associações por aí. Basta uma pequena ajuda, serve de passeio e de exemplo para dar aos filhos.
Não é preciso ser em dinheiro, até porque os animais não vão comer aos restaurantes, comprem comida e levem até uma associação que queiram ajudar.
Podem começar pelos Amigos da Bicharada (912112168).

Não existem obstáculos que impeçam a compaixão de prevalecer, a boa-vontade de vencer e a entreajuda de imperar.
Não têm preço estas “pequenas” ajudas de grande importância!
Não custa nada e vale tanto!

A todos aqueles que participam e colaboram muito obrigado!

26 de Setembro de 2005
Rui Cabral
(do correio)

segunda-feira, setembro 26, 2005

NICOLAS DE STAËL


De Staël,
Port de Sicile, 1954
Huille 114 x 146 cm
National Gallery of Canada, Ottawa

domingo, setembro 25, 2005

Santana Lopes

Andam todos 'aos gritos e apitos' porque Pedro Santana Lopes, ao fim de trinta anos de descontos, e ao abrigo do que a Lei lhe permite, resolveu 'meter os papéis' para a reforma, e vai receber uns seiscentos e tal contos por mês.
No mês de Junho do corrente ano, mais exactamente no dia 4, 'postei' um link do blog do Advogado José Maria Martins,
6 Anos de trabalho pensão vitalicia de 8.000 Euros/Mês?
AQUI!
# posted by Isabel Magalhães : 03:21
sobre algo que considero 'gritante'.
Para uma mais fácil leitura, deixo aqui o 'copy/paste'.

Sexta-feira, Junho 03, 2005

6 Anos de trabalho pensão vitalicia de 8.000 Euros/Mês?

As Causas da Decadência de Portugal

Soube-se agora que o Ministro das Finanças, com 49 anos de idade, tem uma pensão , vitalícia, de 8.000 Euros mensais, por ter sido vice-governador do Banco de Portugal durante 6 anos.
Num país pobre, periférico, onde a maior parte da população vive pauperriamente, é IMORAL, é ANTI-SOCIAL, é uma falta total do sentido da ética, da vergonha e do razoável.
1600 contos mensais, para o resto da vida, de "prémio" pelo facto de ter sido vice-presidente do Banco de Portugal durante 6 anos!!!
Portugal vai nú e os outros países riem-se com a miséria desta democracia, onde o sacar, sacar , sacar é a regra geral daqueles que deveriam ter sentido de Estado, de patriotismo, de servir a causa pública.
O Banco de Portugal é uma pessoa colectiva de direito público, exclusivamente pública, como determina a CRP no artº 102º e a sua Lei Orgânica. Lei 5/98, de 31/1 e alterações posteriores.
O Dinheiro dos salários e das Pensões é dinheiro público.
Um homem depois de trabalhar 6 anos no Banco de Portugal ter o "direito" a receber 8.000 Euros mensais para o resto da vida é um desvario.
A Lei tem de ser alterada. Os portugueses não podem ser obrigados a apertar o cinto enquanto aqueles que têm sido a causa da nossa recessão, do vergonhoso último lugar na fila na União Europeia, vivem faustosamente.
Nem um Juiz do Supremo Tribunal de Justiça tem uma aposentação desse montande depois de mais de 30 anos de serviço público.
Infâmia para todos nós!
Que pensar de alguém que agora quer tirar 42% de impostos, de IRS a quem ganha 60.000 Euros anuais e recebe um "brinde" de 96.000 anuais de pensão relativa a 6 anos de trabalho no Banco de Portugal?
É o descaramento total.

Posto por José Maria Martins 19:51

sexta-feira, setembro 23, 2005

NICOLAS DE STAËL




De Staël
Figures au bord de la mer, 1952
Huille, 161 x 128 cms

Kunstsammlung Nordhrein-Westfalen, Düsseldorf

quarta-feira, setembro 21, 2005

MARGENS DO DOURO


Isabel Magalhães
Margens do Douro, acrílico s/tela, 73 x 60, 2002



BALADA DO RIO DOIRO

Que diz além, entre montanhas,
O Rio Doiro à tarde, quando passa?
Não há canções mais fundas, mais estranhas,
Que as desse rio estreito de água baça!...
Que diz ao vê-lo o rosto da cidade?
Ó ruas torturadas e compridas,
Que diz ao vê-lo o rosto da cidade,
Onde as veias são ruas com mil vidas?
Em seus olhos de pedra tão escuros
Que diz ao vê-lo a Sé, quase sombria?
E a tão negra muralha à luz do dia?
E as ameias partidas sobre os muros?
Vergam-se os arcos gastos da Ribeira...
Que triste e rouca a voz dos mercadores!...
Chegam barcos exaustos da fronteira
De velas velhas, já multicolores...
Sinos, caixões, mendigos, regimentos,
Mancham de luto o vulto da cidade...
Que diz o rio além? Porque não há-de
Trazer ao burgo novos pensamentos?
Que diz o rio além? Ávido, um grito
Surge, por trás das aparências calmas...
E o rio passa torturado, aflito,
Sulcando sempre o seu perfil nas almas!...

Pedro Homem de Mello


*Para a Laerce, minha amiga das Terras do Douro.

terça-feira, setembro 20, 2005

As mais famosas receitas do Mundo



Querida Azulinha,
Não sei se alguma vez te darás ao trabalho de preparar este bolo. Eu nunca tive essa coragem porque - assumidamente - não seria capaz de o decorar como na foto. E, a decoração faz parte do todo. Sem as famosas letras feitas de 'glacé', com recurso a um saco de pasteleiro munido de um bico fino, a nenhum bolo de chocolate se poderá chamar 'Sachertorte'.
Assim, resta-me olhar a página do livro para sentir a magia de Viena, enquanto sonho com o dia em que voltarei ao Hotel Sacher para saborear uma fatia da famosa 'torte'; um sabor que nunca se esquece e fica para sempre ligado à cidade das valsas.

segunda-feira, setembro 19, 2005

ROUBOU, MAS FEZ OBRA!

O estado calamitoso a que chegou a classe politica portuguesa tornou-a, aos olhos do comum cidadão, numa das mais desprestigiantes classes existentes no país. (...)
Aqui!

Artistas Plásticos do Concelho de Oeiras



Num espaço de eleição, envolvido pelo verde da Serra de Sintra, com uma acolhedora Casa de Chá e um Antiquário e Loja de Restauro, o Raul Rodrigues voltou a surpreender-nos com mais esta mostra de catorze das suas telas, na maioria de grandes dimensões, onde nos revela as suas cidades - as grandes construções.
Como sempre uma pintura cheia de força e das cores a que nos habituou.

quinta-feira, setembro 15, 2005

LISBOA - Livro de Bordo


Júlio Pomar - Corbeau, 1981

Os Corvos (Rua das Farinhas)
Falando de santos cumpre falar de São Vicente que está na Sé e que só viu Lisboa com os olhos de morto. Dever é dever, e este mártir, apesar de muito espanhol, até ficou ligado ao brazão do nosso Município por causa de certas fábulas do destino.
São Vicente, está provado, entrou no Tejo em cadáver navegante sob a guarda de dois corvos. Já ressequido e mirrado, acrescente-se. Já relíquia de sacrário, boca roída, dentes de fora. Chegou nessa figura e, embora santo, não teve uma palavra para a cidade que o recebeu. Sem um obrigado nem um ‘Dominus tecum’, recolheu à catedral como quem recolhe a uma fortaleza e, deserto, todo com ele, ficou-se a deixar correr os séculos por cima do seu cadáver.
Os corvos não. Os corvos, depois de uma viagem tão vigilante, mal se apanharam em terra puseram-se aos pulinhos para desentorpecer e, metendo por becos e travessas, entraram logo em convivência. Dentro em pouco já se tinham multiplicado em legiões de pássaros de taberna que eram um gosto de apreciar. Dois dos mais antigos vadiaram por tão longe e por tais sítios que no ano de 1630, vem nos livros, passaram as portas da cidade e chegaram à Bica de Arroios. Arroios, imagine-se. Um arrabalde de degredados, naquela época. Cheios de à-vontade, os dois aventureiros mataram a sede, descansaram, e para assinalarem o acontecimento gravaram a sua imagem na pedra do chafariz como um padrão de exploradores. Portuguesíssimos, estes pássaros.
Mas embora com um ou outro desvio para espairecer, nos bairros da capital é que os corvos propriamente corvos faziam vida. Pátio do Corvo, em São Vicente de Fora, Rua do Corvo às Escadinhas de Santo Estevão, Terreiro do Corvo, na Sé – como se vê, o mapa municipal assinala-os ainda hoje em personagens de respeito. Tão de respeito que Júlio Pomar pintou um deles lado a lado com Fernando Pessoa, e com toda a legitimidade porque se trata de dois lendários de Lisboa. (...)

José Cardoso Pires

quinta-feira, setembro 08, 2005

desenhar é levar uma linha a passear

A Mónica tem 11 anos e uma vontade ENORME de levar os seus desenhos a toda a blogoesfera.

'Bora lá' visitar o
blog da Mónica e fazer-lhe a vontade.
Ela merece a visita.
A Mónica é uma pequena grande Artista!

quarta-feira, setembro 07, 2005

GAFFE

Afinal, o 'boy' George, não o cantor, o outro... "takes after his mother"!

JÚLIO POMAR

Mai 68, 1968
acrílico sobre tela
130 x 162 cms

Col. Jorge de Brito, Lisboa

terça-feira, setembro 06, 2005