sábado, agosto 28, 2004

PARA O GUI

(Meu desconhecido amigo da blogosfera)

Por vezes, e que me perdoem os Grandes Mestres que possam não concordar, digo eu, uma autodidacta em pintura, e também porque o disseram Grandes Mestres que já não moram aqui, é necessário esquecer os conhecimentos académicos para poder criar, para libertar a pintura que vai na alma.
Dito por mim, pode parecer suspeito – sou apenas menos que uma ínfima partícula na pintura. Não renego a técnica e conhecer os materiais, saber utilizá-los e dominá-los é essencial. Não renego o que outros – muitíssimos outros – me possam ensinar; tenho ainda tantos livros para ler, tantas exposições para ver, “a ver também se aprende” – dizia sempre o meu pai - e eu pertenço ao grupo a quem é essencial “meter as mãos na massa” para complementar a leitura, os ensinamentos. Sem esse acto, não ultrapasso a insegurança. É a curiosidade, a necessidade de sentir fisicamente – a pintura é também um acto físico – que me impulsionam a experimentar, a destruir para construir.
O que eu recuso é que me condicionem a mão, o traço, o rasto deixado pelo pincel ou pela espátula. Que me reduzam, enfim, o olhar, à condição de lente de máquina fotográfica.
Sem, de modo algum, autodenominar de arte aquilo que faço, mas consciente da diferença entre “Arte e Saber Fazer” tenho sempre presente algo que um Pintor cujo trabalho muito prezo – Jorge Martins – escreveu: - “Há dois tipos de pintores; os que sabem de antemão o que vão pintar, e os outros. Os que vão para o cavalete e deixam que aconteça”.
É assim que estou na pintura; deixo que aconteça! Deixo que “Alguém” guie a minha mão.
Tudo isto para quê? Para te dizer que deixes que a mão que segura os pincéis, te leve onde a alma te quiser levar. Sem medo, sem receio. Talvez aí encontres a evolução que pretendes.

6 comentários:

  1. É dessa forma que descreves que eu "vejo" as tuas telas.

    ResponderEliminar
  2. Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

    ResponderEliminar
  3. Obrigado por tão belas palavras...
    Fico sem saber o que dizer!!
    Vê comentário a “Limites”...

    bj

    ResponderEliminar
  4. O que mais gostei na SNBA é que não é um curso na verdadeira acepção da palavra, ou seja, não é imposto nada ao aluno.
    É feito um acompanhamento personalizado onde é deixado espaço ao aluno para desenvolver a sua própria linguagem.
    Serve essencialmente para juntar um grupo de pessoas com os mesmos interesses e proporcionar um ambiente rico em inspiração e motivação.
    Muitos não têm tempo nem oportunidade para fazer trabalhos em casa, ou, por opção de vida, não tiveram acesso à Universidade de Belas Artes.

    Na minha opinião, para quem não quer desistir do sonho esta é uma boa solução. (a um preço muito acessível :) )

    ResponderEliminar
  5. A SNBA é, há muito, uma referência no ensino das Artes Plásticas. Sei como funciona - alguns dos meus amigos, nomes proeminentes na pintura - passaram por lá.

    ResponderEliminar