quarta-feira, agosto 04, 2004

PRETO NO BRANCO

Porque será que à maioria dos poetas lhes desperta a verve quando cantam a tristeza dos desencontros do amor? E os grandes prémios de fotografia que apenas contemplam o trabalho dos que captam cenas de guerra e de miséria? E porque não cantar hinos á alegria em vez de dar à estampa o preto e branco do sofrimento? Será que a alegria "não vende"? Deixou de ser notícia? Passou de moda? Será que o homem é um ser triste, vampiro de situações negativas e que as alimenta com o desamor, com a infelicidade própria e a alheia, com os traumas, as frustações, as não realizações pessoais? E porque não inverter a situação? Porque não falar, escrever, fotografar o outro lado, o lado das coisas belas e das coisas boas, dos sentimentos bons como a amizade e o amor? O amor que todos temos para dar e que amiúde não damos, porque não sabemos, porque não queremos, por inércia ou omissão. O amor feliz, realizado, escrito, falado, pintado com uma paleta cheia de cores.

10 comentários:

  1. Falar das coisas que nos perturbam é tb uma maneira de enontrar a felicidade e refúgios de paz.
    As coisas pesadas de ler e de se dizer e sobretudo de ser fazem parte, pq ignorá-las e fingir que tudo são rosas?
    O espaço da criatividade é imenso e não compactua, no meu entender, com esse tipo de dicotomia.

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  2. Será que sinto um cheirinho a maniqueísmo...?

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  3. Não sou seguidora de Manes. Ao copo "meio-vazio" prefiro o copo "neio-cheio" - embora só beba água - e ver o "bright side" dá-me mais força para enfrentar as adversidades do dia a dia.
    Deve ter qualquer relação com o facto de não gostar de "carpideiras" nos velórios. :)

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  4. Pois... compreendo.

    Mas no que me diz respeito é precisamente o enfrentar os aspectos negativos da vida que me dá força para viver e para lutar.
    Querer fazer as pessoas crerem que o Mundo é um paraíso, só serve para as alienar da realidade e torná-las presa fácil de quaisquer energúmenos que delas se queiram aproveitar.
    E os exempos são tantos que nem vale a pena citá-los. Impressiona a profusão de revistas cor-de-rosa, livros cor-de-rosa, programas-tv-rádio cor-de-rosa, etc.
    Não, não vale a pena 'tapar o Sol com a peneira'.
    Apenas nos iludimos e, tal como um drogado com a ressaca, o acordar pode ser de tal modo violento que não consigamos resistir. Ansiedade, stress, depressão, suicídio...
    Acho que precisamos de equilíbrio, "nem tanto ao mar, nem tanto à terra".

    E "peguemos o toiro pelos cornos", que é a melhor forma de lutar contra ele. :)

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  5. É exactamente disso que se trata - De Equilibrio! Quanto às revistas cor-de-rosa... não sou consumidora; mas existem. Assim como existem os "Cavaleiros da Desgraça" e não sáo uns nem outros que salvam o Mundo. Nem eu - que só cá estou de passagem. :)

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  6. Todos nós, estamos 'de passagem'. Porque não tornar essa passagem o mais agradável possível!?
    O mundo não precisa ser 'salvo', porque nunca esteve condenado.
    Precisamos sim, de solidariedade (e não caridade...) e de bom senso. Encarar a vida com realismo.
    Por isto, e muito mais, o meu combate contra a hipocrisia e o fundamentalismo (qualquer a máscara sob a qual se esconda).

    "É melhor ser um ser humano insatisfeito que um porco satisfeito." John Stuart Mill

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  7. Afinal estamos a falar da mesma coisa. "(...) Porque não tornar essa passagem o mais agradável possível!? (...)" - a frase é sua - e foi por aí que eu comecei o meu post. Basta lá ir e ver. :))

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  8. Apesar de só gostar de escrever poesias, com isto querendo dizer que não me sinto poeta, não escrevo só as tristezas do amor. É claro que há casos e casos. Penso que quem escreve assim (tb por vezes o fiz) poderá ser uam maneira de expiação ou, uma maneira de libertar fantasmas.
    É certo que nos dias que correm, as tristezas é que têm audiências, o que também me entristece. Pode ser que daqui a "dias", o povo farto de tristezas, queira ver coisas alegres e bonitas.

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