terça-feira, agosto 17, 2004

UM VERSO

Um verso. Nada mais que um verso cintilante
contra o equilíbrio cósmico e a expansão do universo
na cauda do cometa mais errante
no coração do espaço e seu avesso
uma sílaba cantante
um verso.

Para além dos buracos negros e das linhas interestelares
um som no espaço
um eco pelos ares
um timbre um risco um traço.

Um som de um som: alquimia
de signos e sinais
não mais do que outra forma de energia
imagens espectrais
de um sol inverso
um ponto luminoso nos fractais
um verso.

Manuel Alegre
in Senhora das Tempestades

4 comentários:

  1. A força de um verso, concepção espantosa da palavra escrita...
    Isabel, visito o teu espaço pela primeira vez. Graças â "Neblina"...

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  2. musalia... obrigada, e que seja a primeira de muitas visitas. :)

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  3. Estes poemas que aqui inseres fazem-me recordar aqueles bons restaurantes onde a comida é servida com gosto e requinte, ainda que por vezes não seja um prato especial. Tal como este poema, simples mas muito belo no seu conteudo. Um beijo de simpatia e amizade.

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  4. Quem pinta assim...deveria mais expôr a sua sensibilidade poética.Sem transcrever estados de espírito. Assim como pinta, eu acho que devia escrever...
    Assim como pinta, devia escrever,
    Devia escrever e espôr-se. Como pinta.
    E a pintura, quando eu fôr grande, gostaria muito de poder comprar. Porque gosto.

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